Os riscos psicossociais no ambiente de trabalho referem-se a fatores organizacionais, relacionais e contextuais que afetam a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores. Esses riscos incluem, entre outros, excesso de carga de trabalho, pressão por resultados, assédio moral, falta de apoio social, insegurança no emprego e baixa autonomia.
Com o avanço dos estudos sobre saúde mental ocupacional, especialmente após a pandemia de COVID-19, o tema ganhou ainda mais relevância. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) passaram a integrar os riscos psicossociais em suas diretrizes sobre segurança e saúde no trabalho.
A OMS, em seu Relatório Mundial de Saúde Mental de 2022, reforça que ambientes de trabalho tóxicos são um dos principais gatilhos para doenças como burnout, depressão e ansiedade.
1. Conceitos e Classificações Recentes
Entre os conceitos mais atualizados está a definição da Síndrome de Burnout, que passou a constar na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional. O burnout é caracterizado por exaustão emocional crônica, ceticismo ou negativismo relacionado ao trabalho e eficiência profissional reduzida.
Outros conceitos importantes envolvem:
• Demanda e controle: A teoria de Karasek mostra que trabalhos com alta demanda e baixo controle geram maior risco de estresse. Conhecida como modelo demanda-controle, postula que trabalhos com alta demanda psicológica e baixo controle sobre o processo de trabalho estão associados a um maior risco de estresse ocupacional e problemas de saúde. Essa combinação é frequentemente chamada de “job strain” ou “esforço laboral”.
• Desequilíbrio esforço-recompensa: Proposta por Johannes Siegrist, aponta que a injustiça nas relações de trabalho pode comprometer a saúde. Ele postula que a falta de reciprocidade entre o esforço despendido no trabalho e a recompensa recebida gera estresse, o qual pode levar a problemas de saúde a longo prazo.
• Violência organizacional: A exposição constante a microagressões, assédio moral ou discriminação.
2. Aplicações na Gestão de Pessoas e Cultura Organizacional
Empresas de vanguarda têm adotado políticas mais humanizadas de gestão, com foco na saúde integral do trabalhador. Ferramentas como o mapeamento de riscos psicossociais, pesquisas de clima organizacional, escuta ativa e programas de apoio psicológico têm sido cada vez mais implementadas.
Além disso, novas abordagens em ESG (Environmental, Social and Governance) incluem a saúde mental dos colaboradores como parte das métricas sociais das corporações. O ambiente emocional do trabalho passou a ser considerado um ativo estratégico para a produtividade.
3. Diretrizes e Medidas de Prevenção
As principais diretrizes sugeridas por organismos internacionais (como a OIT, ISO 45003 e OMS) e pelas normas brasileiras (NR-17 e Programa de Gerenciamento de Riscos – PGR) incluem:
• Identificação e avaliação de riscos psicossociais: uso de questionários, entrevistas e indicadores de saúde e absenteísmo.
• Promoção de ambiente saudável: incentivo ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, valorização da comunicação empática e da liderança humanizada.
• Capacitação da liderança: gestores devem ser treinados para reconhecer sinais de sofrimento psíquico e agir preventivamente.
• Políticas de diversidade e inclusão: ambientes seguros e inclusivos reduzem o estresse e aumentam o engajamento.
• Acesso a serviços de saúde mental: criação de canais de apoio psicológico, parcerias com terapeutas e plano de saúde com cobertura ampliada.
• Monitoramento contínuo: revisão periódica das estratégias e seus resultados.
4. Considerações Finais
Investir na prevenção dos riscos psicossociais é não apenas uma questão ética, mas uma exigência legal e estratégica. Ambientes emocionalmente saudáveis favorecem a inovação, a produtividade e a retenção de talentos. Em tempos de alta competitividade e transformação digital, as empresas que cuidam de seus colaboradores tendem a ser mais resilientes, sustentáveis e eficazes.
Em caso de dúvidas ou para mais informações, consulte um profissional de sua confiança.
Publicado em 23 de junho de 2025.
Dr. Henrique Sampaio
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